É de facto muito árduo o trabalho dos homens que fazem as vindimas em Setembro e Outubro.

São os agricultores que fazem eles mesmos a colheita da uva  para posterior entrega junto dos produtores de vinho. As vindimas são um acontecimento social muito significativo  para as populações, é muito comum os familiares serem “convidados” para ajudar, tanto na apanha da uva, como no lagar a pisá-las.

Tempo de Vindimar

A época das vindimas tem o seu período mais intenso na segunda metade da estação do Verão. Em Agosto é prestada homenagem à Santa Padroeira da Ilha da Madeira na chamada Festa de Nossa Senhora do Monte, após a qual a região mergulha na folia de Baco. Esta actividade frenética começa em meados de Agosto e continua até meados de Setembro nas zonas mais quentes da Ilha, isto é, as zonas mais baixas e costeiras na vertente sul. Mas as vindimas continuam até meados de Outubro e à vezes até Novembro nas restantes localidades, ou seja, as zonas de maior altitude e a zona norte da Madeira.

A excepção é a Ilha do Porto Santo. As vindimas começam em Julho, ainda antes da Festa do Monte. A última cultivar a  ser vindimada é  a Sercial, pois encontra-se cultivada a to 2000 metros acima do nível do mar.

Nestas últimas décadas as vindimas ganharam um carácter maioritariamente comercial e sério, por esse motivo as festividades e costumes ligados a elas já não são tão apreciadas. Após a apanha das uvas, elas são colocadas em cestos de vimes junto à estrada. Depois vêm carrinhas de caixa aberta, onde são despejadas  as uvas, que serão  transportadas para  os lagares mecânicos. Este é um método completamente díspare daquele encontrado na produção de vinho doméstico de outros tempos. Mas ainda é muito normal a   pisa da  uva ser feita à velha maneira: com os pés descalços.  Claro que isto  só acontece quando  as  uvas  e  o mosto produzido  não se  destinam aos grandes produtores.

Uma iilustração de azulejos recriando uma cena quotidiana das vindimas.

Este conjunto de  azulejos mostra um lagar onde as uvas são pisadas com os pés descalços. Uma tradição antiga, que ainda pode ser apreciada nos nossos dias, desde que tenha conhecimento dos locais onde é feita. Pode é ter que ajudar...

Este tipo de indústria doméstica produz um tipo de vinho de mesa, que  se  pode encontrar em  qualquer “tasca” - uma  espécie de  bar  familiar . A maioria dos vinhos domésticos são de boa qualidade. A   príncipal razão para o sucesso  da indústria de vinho doméstico é a  ausência de tanino, dado que  o  processo  de  extracção do vinho é feito com os pés. O tanino surge devido ao efeito violento  que as  prensas mecânicas têm sobre as sementes das uvas e o pecíolos dos cachos e que  o  libertam no sumo  das uvas, problema este evitado quando espremidas de uma forma rudimentar.

Este vinho caseiro é chamado pelos  locais  como “Café de Setembro”  e é a bebida  oferecida normalmente nas casas rurais  madeirenses. Um visitante pode ficar espantandíssimo com as ofertas generosas e intermitentes  deste vinho... Se o vinho é bastante bom, e ainda sobra após  todas as festas  e  reuniões familiares que se  estendem  ao longo do  ano,  então é guardado em   barris de  madeira para consumo posterior. O vinho armazenado  desta  forma toma o nome de: “Vinho Canteiro”

Um jovem agricultor ajuda a vindimar a Tinta Negra Mole.

Apanhando uvas da  casta  Tinta Negra Mole.

Muitas vezes este  vinho canteiro pode  ser  vendido na “tasca” local. Alguns  dos melhores  e mais antigos vinhos  são  guardados para ocasiões especiais - como por  exemplo, nas visitas do Padre para o  Santíssimo Sacramento, claro que iste acarreta consequências inevitáveis, mas agradáveis.

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